De acordo com Paulo Guimarães, assessor do general angolano Higino Carneiro, a recandidatura do atual Presidente do MPLA e de Angola, João Lourenço, à liderança do partido não vai inibir a pretensão de Carneiro.
"Não e nem deve [Inibir], porque existe uma calendarização das ações, nós estamos dentro dos marcos da ação de recolha de assinaturas, isso vai até outubro e achamos que não temos de nos precipitar, estamos a fazê-lo no marco deste período para depois submetermos à comissão", disse hoje o assessor à Lusa.
Para o assessor de Higino Carneiro, pré-candidato à presidência do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) no âmbito do IX Congresso Ordinário marcado para dezembro, a recandidatura de João Lourenço era previsível.
Paulo Guimarães afirmou que o general reformado e ex-governante angolano "sempre teve como ponto assente de que o presidente João Lourenço iria concorrer".
"Para nós, não é estranho. Aliás, no quadro da nossa ação estratégica sempre consideramos esta hipótese, num cenário em que o presidente [do MPLA] concorreria e num outro em que não concorreria", afirmou, acrescentando: "É normal, e até fizemos bom voto que o presidente [João Lourenço] entre nesta corrida e, para nós, será muito interessante".
O deputado do MPLA João de Almeida Martins, "Jú Martins", formalizou na segunda-feira a candidatura do Presidente angolano e do MPLA à presidência do partido, no quadro do congresso agendado para os dias 09 e 10 dezembro, com a apresentação de 11.118 subscrições à comissão de candidaturas.
O Bureau Politico (BP) do MPLA apresentou, anteriormente, o seu "apoio incondicional" à candidatura de João Lourenço.
Relativamente ao posicionamento do BP à candidatura de João Lourenço, o assessor de Higino Carneiro argumentou: "Estamos apenas preocupados connosco, não estamos preocupados com as outras pessoas".
"Mas, é importante que se diga que não foi feita uma declaração de apoio individual, mas foi feita a declaração de apoio de um órgão. Nós não sabemos se é legal ou se é ético o procedimento, e esperamos que as instâncias avaliem se os procedimentos estão conforme", salientou.
"Continuamos a nos preparar no quadro da nossa estratégia e esperamos participar do jogo, honrando as expectativas daqueles que confiaram na candidatura do general Higino Carneiro", sublinhou.
Paulo Guimarães realçou, por outro lado, que o processo de recolha de assinaturas para a formalização da candidatura de Higino Carneiro "decorre na normalidade", apesar de um "ligeiro contratempo" motivado pelos. novos formulários entregues pela comissão de candidaturas.
"Tivemos de voltar em pontos onde já havíamos passado [com os novos formulários), mas tirando este contratempo, penso que estamos a (chegar) a bom porto, porque a ideia é conseguir um número superior ao exigido, para eventuais percalços que possam surgir", vincou.
Aos militantes do MPLA, a assessoria de Higino Carneiro apelou a participarem no processo e a fiscalizarem para que "eventuais irregularidades não se registem.
"E que encarem este exercício novo, das múltiplas candidaturas, como um marco histórico para o partido", concluiu.
José Carlos Almeida, António Venancio e Irene Neto são outras figuras que já manifestaram intenção de concorrer à presidência do MPLA. A Lusa tentou contactar estas personalidades, mas não obteve respostas até ao momento.
Os candidatos a presidente do MPLA terão de apresentar assinaturas de 5.000 militantes em pleno gozo dos seus direitos estatutários, sendo pelo menos 250 militantes inscritos em cada uma das 21 províncias de Angola.