De acordo com informações avançadas pelo Novo Jornal, o pedido foi submetido por Matos Mota "Kito", mandatário da candidatura de Higino Carneiro, em duas fases distintas. A primeira reclamação foi entregue há cerca de três semanas à Subcomissão de Candidaturas, coordenada por Job Capapinha. Posteriormente, a 27 de Maio, o mesmo documento deu entrada na Comissão Nacional de Candidaturas, órgão presidido por João Lourenço.
Entre as principais queixas apresentadas está a alegada existência de orientações dirigidas a responsáveis partidários em várias províncias para que não validassem pedidos de apoio à candidatura de Higino Carneiro. Segundo a reclamação, tais práticas terão dificultado o exercício dos direitos dos militantes e comprometido a igualdade de oportunidades entre os candidatos.
A candidatura denuncia igualmente obstáculos administrativos relacionados com o processo de regularização das quotas dos militantes, situação que considera ter criado entraves à participação de apoiantes no processo eleitoral interno.
Outro aspecto contestado refere-se à realização de marchas de apoio à candidatura de João Lourenço. Higino Carneiro entende que estas iniciativas constituem uma violação das regras estabelecidas para a disputa interna, classificando-as como um “grave atropelo” às normas que regulam o processo eleitoral do partido.
No documento apresentado às estruturas competentes do MPLA, a candidatura solicita ainda a realização de uma auditoria independente aos ficheiros entregues pela equipa de João Lourenço à Subcomissão de Candidaturas. O objectivo, segundo os reclamantes, é assegurar a transparência e a credibilidade do processo de validação das candidaturas.
A reclamação foi acompanhada por documentação e elementos de prova que sustentam as alegações apresentadas. Uma cópia do processo foi igualmente remetida à Comissão de Disciplina, Ética e Auditoria do MPLA, liderada pelo general Pedro Neto.
Entretanto, fontes citadas pelo Novo Jornal afirmam que a candidatura de Higino Carneiro admite recorrer ao Tribunal Constitucional caso o pedido de impugnação não obtenha provimento junto das instâncias internas do partido.
A eventual judicialização do processo poderá acrescentar novos contornos à disputa pela liderança do MPLA, numa altura em que decorrem os preparativos para a renovação dos órgãos dirigentes da maior força política angolana.