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Bispo angolano lamenta “incompreensíveis” escassez de combustível e alta de preços em Cabinda

Post by: 02 March, 2026
Bispo angolano lamenta “incompreensíveis” escassez de combustível e alta de preços em Cabinda

O bispo católico de Cabinda considerou hoje "incompreensiveis" as difíceis condições socioeconómicas das familias naquela província angolana, marcada por escassez de combustível, cortes de energia elétrica e alta de preços da cesta básica, alertando para possíveis tensões sociais.

Belmiro Chissengueti, que falava em conferência de imprensa de balanço da I Assembleia Plenária dos bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), que terminou hoje em Luanda, lamentou as dificuldades por que passam as populações de Cabinda, norte de Angola.

A imprensa angolana tem noticiado, nos últimos tempos, falhas regulares no fornecimento de energia elétrica, escassez de combustível, de gás de cozinha, preços altos, reduzido número de magistrados judiciais e professores que exigem subsídios das zonas reconditas como principais reivindicações naquela província.

Hoje, o bispo de Cabinda afirmou que as preocupações dos cidadãos em Cabinda constam da agenda da igreja local, que tem feito advocacia junto das autoridades, referindo, contudo, que algumas situações, como a escassez de combustivel na região, "são incompreensíveis".

"Esses assuntos são abordados e a nosso nivel diocesano fazendo advocacia destas questões. Agora, ontem [domingo] mesmo, fui a uma bomba de combustível em Luanda e não havia gasóleo, portanto, aqui também há falhas de combustível. Agora, é evidente que em Cabinda, em muitos casos, as coisas são um bocadinho mais apertadas e incompreensíveis", respondeu à Lusa.

Para Belmiro Chissengueti, Cabinda provincia que produz petróleo há mais de 50 anos "teria pelo menos, por justiça, combustível suficiente para a sua vida interna".

Por outro lado, apontou que as populações locais "sofrem" com as falhas cíclicas de energia elétrica e também com a alta de preços, porque, explicou, todos os produtos - dada a descontinuidade geográfica da província chegam a Cabinda via marítima ou aérea.

"E quando vão por terra as taxas cobradas pela República Democrática do Congo (RDCongo) são muito altas (..). A travessia da RDCongo custa entre 2.000 a 4.000 dólares [1.700 a 3.400 euros) e isso tem incidência naturalmente no preço dos produtos", apontou.

O responsável religioso revelou igualmente que persiste em Cabinda o tráfico de combustível, assinalando que o esforço das autoridades tem sido insuficiente para conter o fenómeno: "Isso é do conhecimento das autoridades, mas a situação continua".

Insistiu que as autoridades locais estão a par de todas as preocupações, salientando que a falta de energia, de combustível, a carestia dos produtos básicos "cria tensão social muito grande".

As autoridades "têm conhecimento disto, têm estado a fazer alguns esforços, nomeadamente com a construção do Porto de Águas Profundas, que esperamos esteja pronto ainda este ano, conforme o prometido, para que possamos fazer importações formais sem necessidade de passar pela RDCongo", frisou.

O também porta-voz da CEAST alertou ainda para a necessidade de as autoridades controlarem a emigração naquele território, porque, adiantou, "se não for controlada" chegar-se-á, "infelizmente, a uma situação que os próprios filhos da terra já não terão espaço para respirar".

"Não é fácil viver em Cabinda", concluiu o bispo angolano.

Independentistas da Frente de Libertação do Estado de Cabinda - Forças Armadas de Cabinda (FLEC-FAC) reivindicam hà vários anos a independência do território de Cabinda, província no norte de Angola, de onde provém grande parte do petróleo do pais, evocando o Tratado de Simulambuco, de 1885, que designa aquela parcela territorial como protetorado português.

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