“O que nos preocupa mais é o padrão histórico de aumento da despesa, aumentos salariais dos funcionários públicos e uma paragem na reforma dos subsídios aos combustíveis, que é a medida mais visível da contenção orçamental”, disse o analista Gabriel Comolet durante um seminário sobre a evolução das economias africanas.
Com o título ‘Conseguirá o bom momento nos ratings africanos sobreviver aos ventos geopolíticos contrários?’, o seminário em formato online passou em revista a evolução dos ratings da região, entre os quais estão Angola, Cabo Verde e Moçambique, todos abaixo da recomendação de investimento.
Sobre Angola, um dos quatro países analisados em pormenor no encontro, a Fitch Ratings mostra-se preocupada com o impacto do período eleitoral no controlo da despesa pública e diz que as eleições estão cada vez mais competitivas.
“A paisagem eleitoral em Angola é cada vez mais competitiva, a UNITA tem crescido em todas as votações e os resultados de 2022 foram os mais renhidos desde o fim da guerra civil, e a oposição já se mostrou preocupada com a integridade do processo eleitoral”, disse Gabriel Comolet, alertando que “se a trajetória histórica se concretizar, antevemos um aumento da despesa”.
Na última avaliação do país, feita há um mês, a Fitch Ratings decidiu manter o ‘rating’ de Angola em B-, com perspetiva de evolução estável, salientando o risco de haver uma “derrapagem na despesa” devido às eleições do próximo ano.
“A perspetiva estável reflete a nossa opinião de que os riscos para o rating estão, em geral, equilibrados; preços mais elevados do petróleo podem gerar receitas extraordinárias, apoiando a consolidação orçamental e as reservas externas, mas este potencial de valorização é contrabalançado pelo risco de derrapagem nas despesas, particularmente no contexto de aproximação das eleições” de 2027, dizia então a
Na nota, os analistas alertam ainda que “a recuperação esperada da produção de petróleo permanece incerta, podendo potencialmente anular alguns dos ganhos”.
A Fitch Ratings decidiu manter a opinião sobre a credibilidade do país para honrar os compromissos financeiros, mantendo a nota de B-, abaixo do nível de credibilidade, ou em ‘lixo’, como é geralmente referido, devido a “indicadores de governação fracos, inflação elevada, níveis elevados de dívida pública em moeda estrangeira e uma das maiores dependências de matérias-primas entre os países avaliados”.