"Assumimos categoricamente que não haverá alteração da tarifa e se houver [os cidadãos] devem denunciar, porque sabemos da situação socioeconómica do país e o cidadão não tem dinheiro mais para custear o transporte cada vez que subir", afirmou hoje o presidente da Associação dos Taxistas de Angola (ATA), Francisco Eduardo.
Em declarações à Lusa, no âmbito do novo ajuste do preço do litro de gasóleo, que desde sábado passou a custar 420 kwanzas (0,39 euros) contra os anteriores 400 kwanzas (0,37 euros), o responsável considerou que a decisão de manter inalterada a corrida de táxi coletivo privado vem "salvaguardar o bolso do cidadão".
Com um aumento de 20 kwanzas (0,02 cêntimos) no gasóleo, que, na estrutura de custo, é apenas um entre vários elementos, observou o presidente da ATA, isso resultaria num acréscimo no táxi de 3,55 kwanzas (0,003 cêntimos), segundo os seus cálculos.
"Olhando por este elemento não temos hoje [disponíveis moedas de] 3 kwanzas e isso estaria a trazer especulações, porque aí nós [os taxistas] poderíamos arredondar [o aumento] (...) e na mesma estaríamos a sufocar o cidadão", notou.
Assinalou que o processo de alteração da tarifa não depende de uma palavra dita, "mas sim de uma planilha de custos".
O litro do gasóleo em Angola passou a custar desde sábado 420 kwanzas, conforme anunciou o Instituto Regulador dos Derivados do Petróleo (IRDP) de Angola, que manteve inalterados os preços para a gasolina, petróleo iluminante e gás.
Francisco Eduardo disse ainda que a ATA e demais associações dos "azuis e branco" (como são conhecidos os táxis coletivos privados de passageiros em Angola) estão a acompanhar os contornos desta medida do IRDP, insistindo que a tarifa se mantém inalterada.
Uma corrida de táxi coletivo privado em Angola está no valor de 300 kwanzas (0,28 euros) enquanto nos transportes públicos urbanos a tarifa é 200 kwanzas (0,18 euros).
Por sua vez, o presidente da Associação dos Transportadores Rodoviários de Mercadorias de Angola (ATROMA), António Gavião Neto, disse que a nova subida do combustível no país vai alterar o movimento contabilistico dos seus associados e vai impactar nos preços.
"Desta vez o executivo foi muito mais prudente e fez um acréscimo de 20 kwanzas, nos 400 kwanzas anteriores, isso não há dúvidas que altera sempre os dados contábeis das empresas associadas à ATROMA", disse à Lusa.
O valor adicional para custos com o combustível, argumentou o empresário do segmento de transporte de mercadorias, vai ter reflexos nos preços da cesta básica, sobretudo para o consumidor final.
"Com certeza de algum lado estes valores têm de sair e quando chegar ao consumidor final os preços da cesta básica terão sofrido também um pequeno acréscimo (...), mas de certeza que as empresas vão ressentir devido aos acertos para o pagamento de salários, obrigações fiscais e manutenção de equipamentos", concluiu Gavião Neto.