Segundo informações disponibilizadas pela família, o diplomata foi diagnosticado há cerca de três meses com um cancro no pâncreas em estado avançado. A doença foi identificada durante uma consulta médica de rotina realizada na África do Sul.
Figura destacada da diplomacia angolana nas últimas décadas, Manuel Domingos Augusto exerceu o cargo de ministro das Relações Exteriores entre 2017 e 2020, integrando o primeiro Executivo liderado pelo Presidente João Lourenço. Antes disso, desempenhou as funções de secretário de Estado das Relações Exteriores para os Assuntos Políticos, entre 2010 e 2012.
Nascido em Luanda a 2 de Setembro de 1957, Manuel Domingos Augusto era licenciado em Direito Internacional Público e possuía um mestrado em Letras, com especialização em Diplomacia, Direito Diplomático e Consular e Prática Diplomática.
Ao longo de mais de quatro décadas de vida profissional, construiu uma extensa carreira ao serviço do Estado angolano, ocupando diversos cargos de relevo na diplomacia, na comunicação social e na administração pública.
Entre as suas principais missões diplomáticas destacam-se os cargos de embaixador de Angola na Etiópia e representante permanente junto da União Africana, entre 2005 e 2010, bem como o de embaixador na Zâmbia, entre 1995 e 1999. Foi igualmente responsável pela primeira missão diplomática angolana na África do Sul, entre 1992 e 1994, numa fase determinante para o reforço das relações bilaterais entre os dois países.
A sua experiência internacional incluiu ainda funções como primeiro-secretário da Embaixada de Angola na Nigéria e responsabilidades em departamentos ligados à cooperação internacional e ao comércio externo.
Paralelamente à carreira diplomática, Manuel Domingos Augusto desempenhou funções governativas como vice-ministro da Comunicação Social entre 1999 e 2005. Antes disso, iniciou o seu percurso profissional em órgãos de comunicação social públicos, nomeadamente na Televisão Pública de Angola e no Jornal de Angola.
À data da sua morte, exercia as funções de secretário do Bureau Político do MPLA para as Relações Exteriores, cargo a partir do qual continuava a acompanhar os principais dossiers internacionais do partido.
O desaparecimento de Manuel Domingos Augusto representa a perda de uma das figuras mais experientes da diplomacia angolana contemporânea, cujo percurso ficou marcado pela participação activa em processos de cooperação regional, integração africana e representação internacional do Estado angolano.





