"Fiz um trabalho de congregação, organizei o Comité Central, organizei o Bureau Político, organizei os comités do partido nas 21 províncias, estamos a trabalhar para organizar a nível dos municípios, realizamos o congresso da juventude e agora temos de continuar", afirmou hoje Nimi a Simbi.
Em declarações à Emissora Católica de Angola, o presidente da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA, oposição), contestado internamente, assegurou que vai se recandidatar ao cargo "para organizar completamente" o partido.
"Ninguém fica eternamente numa posição, as pessoas entram, trabalham e depois deixam [os cargos]", afirmou.
O partido tem vivido crises internas desde a morte de Álvaro Holden Roberto, em 2007, encontrando-se divido em duas alas, uma liderada por Nimi a Simbi, eleito em 2021, cujo mandato terminou em 30 de setembro, е outra liderada por Ngola Kabangu, que dirigiu o partido entre 2007 e 2011.
Uma ala do Comité Central da FNLA aprovou no fim de semana passado a destituição de Nimi a Simbi e a convocação de um congresso extraordinário, deliberações "desvalorizadas" pelo presidente cessante.
O VI Congresso Ordinário e de renovação de mandatos, inicialmente agendado para os dias 23, 24 e 25 de setembro, foi remarcado para 25 a 27 de novembro próximo. A direção do partido justificou o adiamento com dificuldades financeiras.
Hoje, Nimi a Simbi reafirmou que o conclave vai acontecer em novembro e desvalorizou a deliberação sobre a sua destituição, garantindo ter muitos apoios internamente para continuar na liderança.
"Neste momento, organizamos as assembleias em 20 províncias [para a eleição dos delegados ao conclave], temos muitos militantes que apoiam o Nimi e que vão participar no congresso do próximo mês, mas em qualquer sítio há sempre contestações e isso é normal", concluiu o político.
A FNLA tem duas comissões preparatórias para o congresso da sucessão, que soma seis candidatos, Carlito Roberto (filho do fundador da FNLA, Álvaro Holden Roberto), Daniel Afonso, António Fernando Pedro Gomes, Kiaku Samuel Kiala, Sofia Coelho Afonso e Nimi a Simbi.
O Comité Central da FNLA elegeu em março passado Ndonda Nzinga, afeto à ala de Ngola Kabanngu, ao cargo de coordenador da comissão preparatória do congresso, acusando Nimi-a-Simbi de «ditador, imperador e violador sistemático dos estatutos».
Em maio, o atual presidente, Nimi-a-Simbi, negou as acusações, considerou nula a comissão aprovada pelo Comité Central e elegeu João Roberto Soki-Soki como coordenar da comissão preparatória.