As cenas de tumultos na Estrada Nacional (EN) 100, à entrada do bairro Cauango, na província angolana de Benguela - protagonizadas por desalojados das cheias de 12 de abril - foram registadas esta manhã e partilhadas nas redes sociais.
Alimentação condigna, melhores condições de acomodação e casas para poderem abandonar o centro de acolhimento do Campismo 2 centraram as reclamações dos cidadãos, segundo relatos recolhidos pela Rádio Nacional de Angola (RNA), dando nota de que a provincia voltou a registar chuvas esta madrugada.
Um mês após as cheias, causadas pelo transbordo do rio Cavaco, em consequência das chuvas que romperam do dique de proteção, os manifestantes lamentaram a "falta de informação" sobre o seu destino e de condições básicas para alimentação e acomodação, em declarações à RNA.
Os protestos de hoje, segundo a rádio pública, condicionaram a normal circulação rodoviária, facto que motivou a intervenção da polícia local.
Segundo a Emissora Católica de Angola (Ecclesia), houve disparos da polícia para conter os protestos e há registo de feridos.
Para manter a ordem pública, o comandante provincial da polícia em Benguela, Aristófanes dos Santos, abordou os manifestantes e criticou a alteração da ordem e o bloqueio da EN100.
"Há alguma reclamação nesse centro [de acolhimento), mas isso não implica o bloqueio de uma estrada nacional ou de alteração de ordem (...). Vim cá conversar com a população para não fazerem confusões públicas, porque há uma grande preocupação do Governo em resolver essas situações", disse o oficial.
Por seu lado, o responsável do centro de acolhimento Campismo 2, António Francisco, assegurou à RNA que há alimentação e condições de acomodação naquele espaço, argumentando que os protestos foram motivados pelas chuvas desta madrugada..
"Para quem está acampado num espaço aberto e sob uma tenda, tem sempre constrangimentos (...). A situação que levou a esta questão foi o facto de ter chovido e os sinistrados procuravam de alguma forma ter uma cobertura melhor, aqui dentro não temos nenhuma situação de anormal, tirando a questão da chuva", justificou.
Pelo menos 19 pessoas morreram, mais de 30 desapareceram e milhares ficaram desalojadas em consequências das cheias causadas pelo transbordo do rio Cavaco, segundo dados oficiais.
O Governo angolano anunciou em abril que vai abrir uma linha de financiamento de 30 mil milhões de kwanzas (28 milhões de euros) para apoiar empresas e particulares afetados pelas calamidades naturais da província de Benguela e outras regiões do país.





