"As decisões de governação, e não apenas o financiamento, vão determinar o sucesso deste projeto", disse Pablo Valverde durante o lançamento do relatório, salientando que "uma fraca transparência torna o financiamento mais dificil".
Em causa está o projeto de melhoramento e ampliação da via ferroviária que vai ligar o porto do Lobito, no oeste de Angola, com a zona mineira, a este, de Angola e do sul da República Democrática do Congo (RDCongo) e ainda parte norte da Zâmbia.
O relatório identifica como principais desafios do projeto a "fragmentação entre atores públicos, privados e regionais, a fraca coordenação transfronteiriça e a transparência, a inexistência de uma plataforma unificada que junte as partes interessadas e a falta de acesso a energia barata e confiável".
"Este projeto não pode ser uma iniciativa do género mina-ao-porto, porque se for pensado apenas para transporte, falha o objetivo", disse o vice-presidente e coordenador do projeto na Corporação Financeira Africana, Osaruyi Orobosa-Ogbeide.
O Corredor do Lobito, salientou, "é um corredor económico que vai criar novas cidades, novas oportunidades económicas em vários setores, entre os quais a agricultura, que tem oportunidades de negócio no valor de mais de quatro mil milhões de dólar [3,4 mil milhões de euros) na Zâmbia".
Para o responsável pelo investimento da AFC no projeto, "existe um alinhamento politico no palco global, um forte apoio politico, um propósito comum e um enquadramento institucional, por isso as estrelas estão alinhadas para este projeto acontecer".
O Corredor do Lobito é um eixo ferroviário com 1.300 quilómetros de extensão que atravessa cinco províncias angolanas - Benguela, Huambo, Bié, Moxico e Moxico Leste e se prolonga até à República Democrática do Congo (RDCongo) e futuramente à Zâmbia, ligando o Porto do Lobito, no Atlântico, à região mineira do Copperbelt.
Aproximadamente 80% do potencial de mercado do Corredor é gerado pela região do Katanga, na RDCongo, de onde provëm exportações de cobalto, cobre, níquel e litio com destino ao mercado internacional.
O Plano Diretor do Corredor do Lobito identificou já 22 oportunidades específicas na agricultura, silvicultura, pescas e agroindústria - o setor com mais projetos identificados, incluindo polos de processamento de cereais, frutas e horticultura, clusters de café e mel, aquacultura e centros de cadeia de frio.
Na logistica e transportes foram identificadas sete oportunidades, incluindo uma plataforma logística no Bié e um mercado transfronteiriço em Luau, no Moxico.
O futuro mecanismo de governança do Corredor será a Sociedade de Desenvolvimento do Corredor do Lobito (SDCL), uma empresa pública criada em janeiro de 2026 com a missão de administrar, coordenar, supervisionar e promover as atividades de desenvolvimento económico do Corredor e atrair investimento estratégico nos setores da agricultura, indústria, turismo e serviços.
A concessão do Corredor do Lobito é operada pela LAR - Lobito Atlantic Railway, que venceu em 2023 uma concessão de 30 anos e integra três empresas europeias, Mota-Engil, Trafigura e Vecturis.