“O corredor do Lobito pode ligar-se à Tanzânia, a Dar es Salaam, e assim chegamos ao outro lado do mundo”, disse José de Lima Massano durante a conferência “Radar África – Os Caminhos de Angola”, que o Jornal de Negócios realizou hoje em Lisboa.
O governante salientou que a reabilitação da linha ferroviária desde o Lobito até à fronteira com a República Democrática do Congo (RDCongo), e depois até à Zâmbia, e seguindo para o porto de Dar es Salaam, na Tanzânia, “vai facilitar o comércio internacional, criar mais um canal competitivo de circulação de mercadorias entre os países e continentes e potenciar a integração regional” na África Austral.
O corredor do Lobito é um projeto económico que visa recuperar a ligação ferroviária desde o porto do Lobito até às regiões mineiras da RDCongo e da Zâmbia, permitindo escoar minerais, mas também ajudar a desenvolver as regiões interiores destes países.
“É um corredor de desenvolvimento económico”, salientou o governante, acrescentando que o atual contexto internacional de guerra no Médio Oriente mostra a importância de diversificação das rotas do comércio internacional e das cadeias logísticas.
Entre os exemplos de desenvolvimento económico que a reabilitação da linha férrea proporciona, José de Lima Massano apontou as plataformas logísticas, elegendo uma que já tem apoio financeiro dos Países Baixos para o desenvolvimento da produção de abacate.
As declarações do ministro surgem menos de um mês depois de a Entreprise Générale du Cobalt (EGC) e a Trafigura terema realização da primeira entrega de cobre e cobalto aos mercados internacionais, através da Lobito Atlantic Railway (LAR), “um passo decisivo” no desenvolvimento da cadeia de abastecimento.
A Trafigura, em comunicado hoje divulgado, refere que a operação constitui um “passo decisivo” no desenvolvimento de uma cadeia de abastecimento “mais rápida, eficiente e transparente” de minerais provenientes da República Democrática do Congo (RDCongo).
A operação sublinha a importância estratégica do Corredor do Lobito no transporte de recursos minerais da RDCongo para clientes em todo o mundo, refere-se na nota, salientando que a LAR estende-se por cerca de 1.300 quilómetros, ligando o porto de águas profundas do Lobito (Angola) à fronteira com a RDCongo, no Luau.
A infraestrutura, que conta igualmente com a ligação adicional de cerca de 450 quilómetros até Kolwezi, centro do Cinturão de Cobre congolês, permite reduzir o tempo de transporte em cerca de sete dias, quando comparado com outras alternativas.





