Angola entre os países lusófonos sob fortes pressões externas no desenvolvimento das infraestruturas

11 June, 2026

Angola figura entre os países de língua portuguesa que enfrentam crescentes desafios externos na execução de projetos de infraestruturas, segundo um relatório divulgado esta quinta-feira por entidades estatais chinesas, que alerta para um contexto internacional marcado por incertezas económicas, volatilidade geopolítica e constrangimentos financeiros.

O documento foi apresentado durante a abertura do 17.º Fórum e Exposição Internacional sobre o Investimento e Construção de Infraestruturas (IIICF), em Macau, e analisa o desempenho e as perspetivas do setor nos nove países lusófonos, bem como o papel de Macau na cooperação associada à Iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” (BRI).

Apesar de o Índice de Desenvolvimento das Infraestruturas (IDI) dos países de língua portuguesa se ter mantido estável nos 126 pontos em 2026, os autores do relatório alertam que o setor continua sujeito a “fortes pressões externas” que condicionam a capacidade de investimento e a concretização de novos projetos.

Entre os principais fatores apontados estão as políticas monetárias divergentes adotadas por diferentes economias, que aumentam a incerteza nos custos de financiamento, as mudanças no comércio internacional que afetam a procura por projetos de infraestruturas e a crescente instabilidade geopolítica, que tem elevado os riscos para investidores e financiadores.

A estes desafios somam-se ainda os elevados níveis de dívida soberana registados em alguns países e a lentidão na implementação de reformas estruturais, elementos que, segundo o estudo, reduzem a competitividade e a atratividade dos mercados.

No caso de Angola, o país registou uma ligeira descida no índice, passando para 115 pontos, sendo penalizado por fatores como as flutuações cambiais, o aumento dos custos de importação e as limitações fiscais. Ainda assim, o relatório reconhece que o mercado angolano mantém bases sólidas em áreas estratégicas, nomeadamente nos setores dos transportes e da construção.

O estudo sublinha que, apesar das dificuldades conjunturais, Angola continua a beneficiar da procura por infraestruturas essenciais para apoiar a diversificação económica e a melhoria dos serviços públicos, fatores considerados determinantes para sustentar o crescimento a médio e longo prazo.

Entre os países analisados, o Brasil consolidou a liderança com 129 pontos, impulsionado pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e por reformas económicas que têm estimulado investimentos em energia, transportes e infraestruturas estratégicas. Moçambique ascendeu à segunda posição, alcançando 118 pontos, graças ao avanço de projetos energéticos apoiados por instituições financeiras multilaterais.

A Guiné Equatorial manteve o quarto lugar, seguida por Portugal, Timor-Leste, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

O relatório destaca igualmente o aprofundamento da cooperação entre a China e os países lusófonos, sobretudo em áreas ligadas à energia verde, infraestruturas digitais e transportes. Neste contexto, Macau continua a desempenhar um papel relevante enquanto plataforma de ligação económica, apoiando mecanismos de financiamento multilateral para projetos de desenvolvimento.

Elaborado pela Associação Chinesa de Empreiteiros Internacionais e pela seguradora estatal Sinosure, o estudo conclui que, apesar dos obstáculos externos, o setor das infraestruturas nos países de língua portuguesa tem demonstrado capacidade de resistência. Contudo, alerta que a manutenção do crescimento dependerá da estabilidade macroeconómica, da capacidade de atrair investimento e da implementação de reformas que reforcem a confiança dos mercados.

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