Em declarações a Imprensa, o deputado da UNITA Joaquim Nafoia afirmou que a escolha da empresa não é, por si só, o principal factor de preocupação, defendendo que a questão central reside na forma como o processo eleitoral é conduzido no país.
Segundo o parlamentar, quando a oposição obtém vitória nas urnas, o problema não estaria relacionado com a empresa tecnológica responsável pelo suporte do sistema eleitoral, mas com práticas que, no entender da UNITA, comprometem a expressão da vontade popular.
Nafoia apelou ainda à vigilância dos eleitores e dos partidos políticos durante o processo eleitoral. “O que temos de fazer é controlar bem o nosso voto no dia das eleições. As actas devem estar afixadas nas mesas e é necessário que haja bom-senso para que se respeite o voto do eleitor”, afirmou, acrescentando que o seu partido pretende acompanhar e fiscalizar todas as etapas do processo eleitoral, incluindo as acções da empresa contratada.
Também o deputado da UNITA Faustino Mumbica manifestou reservas quanto à continuidade da INDRA na prestação de assistência tecnológica à Comissão Nacional Eleitoral (CNE), considerando que, à luz das experiências eleitorais anteriores, a decisão pode gerar contestação.
Apesar das críticas, Mumbica esclareceu que o partido ainda não apresentou uma posição oficial sobre o assunto, mas poderá pronunciar-se nos próximos dias.
Por sua vez, o porta-voz da CNE, Manuel Camaty, explicou que a instituição lançou, no final do ano passado, dez concursos públicos destinados à contratação de bens e serviços para a organização das eleições gerais de 2027.
De acordo com Camaty, um total de 237 empresas apresentou propostas, das quais 72 foram aprovadas para adjudicação após avaliação dos processos.
O responsável sublinhou que o objectivo da comissão é preparar o processo eleitoral com maior antecedência. “Queremos organizar as eleições com tempo suficiente”, disse.
Relativamente à escolha da INDRA — empresa que já forneceu soluções tecnológicas nas quatro últimas eleições realizadas em Angola (2008, 2012, 2017 e 2022) — Camaty afirmou que as restantes concorrentes não instruíram adequadamente os seus processos, assegurando que o procedimento decorreu de forma transparente.
A participação da empresa espanhola tem sido, no entanto, alvo de críticas por parte de partidos da oposição e de sectores da sociedade civil, que levantam suspeitas sobre a integridade dos resultados eleitorais.
Entre os concursos realizados pela CNE constam aquisições de materiais e serviços diversos, incluindo “kits” para agentes de educação cívica eleitoral, camisolas e bonés, geradores e sistemas de iluminação, viaturas de passageiros, serviços de georreferenciação e mapeamento, cadernos eleitorais, sistemas informáticos, solução tecnológica, bem como logística de transporte e distribuição de materiais eleitorais.