"Até parece que no mundo não tem mais nenhuma [empresa]! Por que é sempre a mesma empresa que faz as eleições todas desde 2008? Então, por que é que o Governo angolano aprova sempre aquilo que não deixa boas memórias aos angolanos? Porque é que o Governo angolano não está alinhado à vontade do povo angolano?", questionou Adalberto Costa Júnior.
O líder político, que falava hoje na cidade do Luena (província do Moxico) num ato político alusivo às celebrações dos 60 anos da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, maior partido da oposição), criticou assim a escolha da Indra para gerir, pela quinta vez, a logística tecnológica para as eleições gerais de 2027.
A empresa espanhola Indra venceu entre quatro concorrentes o concurso para soluções tecnológicas, realizado pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE) angolana, para as eleições gerais de 2027, anunciou na quinta-feira o órgão responsável.
O líder da UNITA considerou mesmo que quem aprova a mesma empresa durante todos os ciclos eleitorais, "não ouve o povo, não ouve a sociedade", apesar de relatórios a reprovar a sua gestão, reflete "medo" de quem assim decide, realçou.
Adalberto Costa Júnior disse ainda que o seu partido tem dado lições de democracia ao país.
"A UNITA está com maturidade, está com responsabilidade, a UNITA cresceu, a UNITA aprende quando cai, o percurso de 60 anos não foi sempre lá acima da montanha, foi também cá em baixo a cuidar feridas", afirmou hoje o político.
Segundo o presidente da UNITA, o partido tem dado "lições de coragem, pluralidade e democracia interna" -- aludindo ao último congresso em que foi reconduzido no cargo, e que teve multiplicas candidaturas -- contrariamente, criticou, ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder).
Num ato político alusivo aos 60 anos do seu partido, fundado em 13 de março de 1966, Costa Júnior também criticou a "falta de pluralidade" no MPLA, exemplificando com o último congresso da OMA -- braço feminino do MPLA -, que teve candidata única.
Para o líder partidário, abordar o congresso da OMA não é assunto interno do partido que governa: "Como pensam que um partido que tem um congresso da organização da mulher, em que apareceram vários candidatos e obriga os outros candidatos a desistirem? Como vai fazer eleições plurais no país", questionou.
"Estamos em 2026, você diz que se podem candidatar e depois obriga a candidata a desistir. Isso é democracia", assinalou, numa referência à desistência de uma das candidatas ao cargo da OMA, que terá sido forçada a desistir por decisão da direção do MPLA.
"Que garantias nos vão levar para a Angola moderna com esse comportamento", voltou a questionar.
Para assinalar os 60 anos de existência, a direção da UNITA, deputados e convidados visitaram na sexta-feira a localidade de Muangai (província do Moxico), onde foi fundado o partido e hoje realizou, na cidade do Luena, um ato político que pintou a Avenida 1.º de Maio de verde e vermelho.
Na sua intervenção, em que interagiu com o público e muitas vezes interrompida por aplausos e assobios, Adalberto Costa Júnior também insistiu na necessidade de o país implementar o poder autárquico -- para o desenvolvimento das localidades -- e de se avançar para um pacto de estabilidade democrática, observando que a iniciativa visa promover diálogo, estabilidade e confiança contínua.
"Angola precisa de um observatório eleitoral para aumentar o controlo da CNE, um laboratório independente feito pela sociedade civil para expor estes senhores que andam a nos trair e a atrasar o desenvolvimento do país", concluiu o presidente da UNITA.





