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Governação tão importante como o financiamento do Corredor do Lobito - Relatório

Post by: 13 Mai, 2026
Governação tão importante como o financiamento do Corredor do Lobito - Relatório

O coordenador do primeiro relatório da Iniciativa para a Transparência na Indústria Extrativa (EITI) sobre o Corredor do Lobito, em Angola, disse hoje que tão importante como o financiamento do projeto é o modelo de governação.

"As decisões de governação, e não apenas o financiamento, vão determinar o sucesso deste projeto", disse Pablo Valverde durante o lançamento do relatório, salientando que "uma fraca transparência torna o financiamento mais dificil".

Em causa está o projeto de melhoramento e ampliação da via ferroviária que vai ligar o porto do Lobito, no oeste de Angola, com a zona mineira, a este, de Angola e do sul da República Democrática do Congo (RDCongo) e ainda parte norte da Zâmbia.

O relatório identifica como principais desafios do projeto a "fragmentação entre atores públicos, privados e regionais, a fraca coordenação transfronteiriça e a transparência, a inexistência de uma plataforma unificada que junte as partes interessadas e a falta de acesso a energia barata e confiável".

"Este projeto não pode ser uma iniciativa do género mina-ao-porto, porque se for pensado apenas para transporte, falha o objetivo", disse o vice-presidente e coordenador do projeto na Corporação Financeira Africana, Osaruyi Orobosa-Ogbeide.

O Corredor do Lobito, salientou, "é um corredor económico que vai criar novas cidades, novas oportunidades económicas em vários setores, entre os quais a agricultura, que tem oportunidades de negócio no valor de mais de quatro mil milhões de dólar [3,4 mil milhões de euros) na Zâmbia".

Para o responsável pelo investimento da AFC no projeto, "existe um alinhamento politico no palco global, um forte apoio politico, um propósito comum e um enquadramento institucional, por isso as estrelas estão alinhadas para este projeto acontecer".

O Corredor do Lobito é um eixo ferroviário com 1.300 quilómetros de extensão que atravessa cinco províncias angolanas - Benguela, Huambo, Bié, Moxico e Moxico Leste e se prolonga até à República Democrática do Congo (RDCongo) e futuramente à Zâmbia, ligando o Porto do Lobito, no Atlântico, à região mineira do Copperbelt.

Aproximadamente 80% do potencial de mercado do Corredor é gerado pela região do Katanga, na RDCongo, de onde provëm exportações de cobalto, cobre, níquel e litio com destino ao mercado internacional.

O Plano Diretor do Corredor do Lobito identificou já 22 oportunidades específicas na agricultura, silvicultura, pescas e agroindústria - o setor com mais projetos identificados, incluindo polos de processamento de cereais, frutas e horticultura, clusters de café e mel, aquacultura e centros de cadeia de frio.

Na logistica e transportes foram identificadas sete oportunidades, incluindo uma plataforma logística no Bié e um mercado transfronteiriço em Luau, no Moxico.

O futuro mecanismo de governança do Corredor será a Sociedade de Desenvolvimento do Corredor do Lobito (SDCL), uma empresa pública criada em janeiro de 2026 com a missão de administrar, coordenar, supervisionar e promover as atividades de desenvolvimento económico do Corredor e atrair investimento estratégico nos setores da agricultura, indústria, turismo e serviços.

A concessão do Corredor do Lobito é operada pela LAR - Lobito Atlantic Railway, que venceu em 2023 uma concessão de 30 anos e integra três empresas europeias, Mota-Engil, Trafigura e Vecturis.

Last modified on Quarta, 13 Mai 2026 18:43
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