Angola vai mapear Corredor do Lobito para identificar áreas de produção e recursos naturais

Post by: 02 July, 2026

Governo angolano vai realizar um mapeamento “de alta resolução” ao longo do Corredor do Lobito, um dos principais eixos logístico e ferroviário do país, no âmbito da iniciativa Angocorredores lançada esta quinta-feira na província de Benguela.

O anúncio foi feito pelo ministro da Agricultura e Florestas de Angola, na província de Benguela, onde se localiza o Corredor do Lobito, um eixo logístico e ferroviário que liga o Porto do Lobito, na costa atlântica angolana, às províncias do Huambo, Bié e Moxico, estendendo-se até à República Democrática do Congo (RDCongo), com futura expansão prevista para a Zâmbia.

No seu discurso, Isaac dos Anjos referiu que o Agrocorredores é uma plataforma para congregar investimentos públicos e privados, de programas do Governo, parceiros de desenvolvimento e instituições financeiras.

Decidimos iniciar esta jornada pelo Corredor do Lobito. Esta escolha não é mero acaso”, disse o ministro, acrescentando que esse eixo logístico e ferroviário “representa uma das mais importantes infraestruturas económicas da África Austral e oferece uma oportunidade única para transformar o potencial agrícola das províncias que atravessa em riqueza, emprego e desenvolvimento”.

Segundo Isaac dos Anjos, o levantamento ao longo do Corredor do Lobito vai cobrir aproximadamente 100 quilómetros para cada lado da linha férrea, numa extensão de cerca de 1.500 quilómetros. O titular da pasta da Agricultura e Florestas de Angola sublinhou que este exercício visa identificar áreas de produção, recursos naturais, sistemas de irrigação, infraestruturas existentes, polos agroindustriais, oportunidades de investimento e zonas prioritárias para intervenção.

“Pretendemos que as decisões futuras sejam tomadas com base em informação sólida, evidências concretas e planeamento estratégico”, declarou. Sobre o Agrocorredores, o governante angolano destacou que vai abranger os territórios produtivos e cadeias de valor prioritárias.

O objetivo, acrescentou Isaac dos Anjos, é “fazer com que os investimentos em estradas, caminhos-de-ferro, irrigação, energia, assistência técnica, mecanização, agroindústria, armazenamento e financiamento atuem de forma coordenada para gerar maior impacto económico e social”.

O ministro sublinhou que não se trata de um novo projeto, mas de um mecanismo de coordenação e integração para permitir alinhar esforços já existentes e mobilizar novos investimentos para acelerar a transformação do setor.

O governante angolano destacou que foi criada a Unidade de Integração de Políticas Públicas e Coordenação da Transformação dos Sistemas Agrícolas e Sistemas Agroalimentares, responsável pelo acompanhamento e coordenação das ações dos principais projetos agrícolas financiados pelos parceiros multilaterais ao longo dos corredores económicos de Angola.

Angola conta nos esforços de desenvolvimento deste setor com o apoio do Banco Africano de Desenvolvimento, do Banco Mundial, do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), da União Europeia, da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS).

Isaac dos Anjos salientou que a iniciativa vai promover maior articulação, evitar duplicações e assegurar uma utilização mais eficiente dos recursos disponíveis.

Na província do Bié a iniciativa prevê uma experiência piloto, “que passará a constituir o primeiro laboratório de implementação do Agrocorredores”, com a incorporação de sistemas de irrigação adaptados às condições locais, soluções de energia solar para reduzir custos de produção, entre outros.

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