Higino Carneiro foi ouvido esta manhã na Procuradoria-Geral da República (PGR) angolana, tendo chegado às instalações por volta das 09h15 e saído cerca de meia hora depois. À saída, explicou aos jornalistas que foi notificado no âmbito de um processo que, segundo disse, já se encontrava arquivado há bastante tempo.
“Nós fomos chamados para tomar conhecimento de uma acusação que tem a ver com um processo que já foi arquivado. Aquilo que o queixoso retirou, alguém entendeu que devia prosseguir”, declarou o antigo governador de várias províncias angolanas.
O caso está relacionado com uma alegada burla envolvendo viaturas adquiridas para o Governo Provincial de Luanda. Segundo Higino Carneiro, o processo chegou a ser abandonado pelo próprio queixoso, proprietário das viaturas, que entretanto teria desistido da acusação.
“O processo foi reaberto por um proprietário que vendeu as viaturas, que, por sua vez, também desistiu da acusação. Mas agora somos confrontados com uma nova realidade”, afirmou, admitindo existirem motivações políticas por detrás da reactivação do caso.
Para o candidato à liderança do MPLA, a coincidência temporal entre o avanço da sua candidatura e a reabertura do processo não é inocente.
“Não pode ter outro sentido, senão pelo facto de eu estar envolvido agora nesta campanha pessoal e que tem a ver com a pretensão de concorrer para a liderança do partido”, sublinhou.
Apesar disso, garantiu que continuará na disputa interna do MPLA e apelou aos seus apoiantes para prosseguirem o trabalho de recolha de assinaturas necessárias à formalização da candidatura.
“Continuem a trabalhar porque o que estamos a fazer é a bem de Angola e dos angolanos”, afirmou, referindo-se também aos “obstáculos” que, segundo disse, têm sido promovidos em vários pontos do país.
A notificação da PGR tornou-se pública na terça-feira, um dia depois de João Lourenço, actual presidente do MPLA e chefe de Estado angolano, ter formalizado a sua recandidatura à liderança do partido.
Questionado sobre o apoio manifestado pelo Bureau Político do MPLA à candidatura de João Lourenço, Higino Carneiro defendeu que o processo eleitoral interno deve decorrer com “igualdade de circunstâncias” e “transparência acima de tudo”.
“Nós temos estatutos, temos regulamentos e entendemos que as pessoas devem primar por respeitar aquilo que constitui o nosso código de conduta partidária”, frisou.
O candidato revelou ainda que o processo de recolha de assinaturas “está a correr bem”, adiantando que já foram reunidas quase 10 mil subscrições, embora tenha criticado a decisão da Subcomissão de Candidaturas de exigir novas fichas de recolha.
“Fomos naturalmente forçados a voltar a fazer esse trabalho. Não o fizeram na época e acabámos por perder tempo nesse sentido”, lamentou.
Além de Higino Carneiro e João Lourenço, também os militantes José Carlos Almeida e António Venâncio manifestaram intenção de concorrer à liderança do partido.
O IX Congresso Ordinário do MPLA está marcado para os dias 9 e 10 de Dezembro, sob o lema “MPLA: Compromisso com o Povo, Confiança no Futuro”. As candidaturas decorrem até 25 de Outubro e cada concorrente deverá apresentar pelo menos 5.000 assinaturas válidas de militantes, distribuídas pelas 21 províncias de Angola.
A Constituição angolana impede João Lourenço de concorrer a um terceiro mandato presidencial nas eleições gerais de 2027. Ainda assim, uma eventual reeleição como líder do MPLA poderá permitir-lhe influenciar a escolha do futuro candidato presidencial do partido.





