Nimi a Simbi desafia opositores internos e avança para novo mandato na FNLA

Post by: 21 October, 2026

O presidente da FNLA, oposição angolana, disse hoje que, sem querer ficar para sempre, concorre para se manter no cargo no VI Congresso, em novembro, para concluir projetos em curso, apesar da contestação interna e aprovação da sua destituição.

"Fiz um trabalho de congregação, organizei o Comité Central, organizei o Bureau Político, organizei os comités do partido nas 21 províncias, estamos a trabalhar para organizar a nível dos municípios, realizamos o congresso da juventude e agora temos de continuar", afirmou hoje Nimi a Simbi.

Em declarações à Emissora Católica de Angola, o presidente da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA, oposição), contestado internamente, assegurou que vai se recandidatar ao cargo "para organizar completamente" o partido.

"Ninguém fica eternamente numa posição, as pessoas entram, trabalham e depois deixam [os cargos]", afirmou.

O partido tem vivido crises internas desde a morte de Álvaro Holden Roberto, em 2007, encontrando-se divido em duas alas, uma liderada por Nimi a Simbi, eleito em 2021, cujo mandato terminou em 30 de setembro, е outra liderada por Ngola Kabangu, que dirigiu o partido entre 2007 e 2011.

Uma ala do Comité Central da FNLA aprovou no fim de semana passado a destituição de Nimi a Simbi e a convocação de um congresso extraordinário, deliberações "desvalorizadas" pelo presidente cessante.

O VI Congresso Ordinário e de renovação de mandatos, inicialmente agendado para os dias 23, 24 e 25 de setembro, foi remarcado para 25 a 27 de novembro próximo. A direção do partido justificou o adiamento com dificuldades financeiras.

Hoje, Nimi a Simbi reafirmou que o conclave vai acontecer em novembro e desvalorizou a deliberação sobre a sua destituição, garantindo ter muitos apoios internamente para continuar na liderança.

"Neste momento, organizamos as assembleias em 20 províncias [para a eleição dos delegados ao conclave], temos muitos militantes que apoiam o Nimi e que vão participar no congresso do próximo mês, mas em qualquer sítio há sempre contestações e isso é normal", concluiu o político.

A FNLA tem duas comissões preparatórias para o congresso da sucessão, que soma seis candidatos, Carlito Roberto (filho do fundador da FNLA, Álvaro Holden Roberto), Daniel Afonso, António Fernando Pedro Gomes, Kiaku Samuel Kiala, Sofia Coelho Afonso e Nimi a Simbi.

O Comité Central da FNLA elegeu em março passado Ndonda Nzinga, afeto à ala de Ngola Kabanngu, ao cargo de coordenador da comissão preparatória do congresso, acusando Nimi-a-Simbi de «ditador, imperador e violador sistemático dos estatutos».

Em maio, o atual presidente, Nimi-a-Simbi, negou as acusações, considerou nula a comissão aprovada pelo Comité Central e elegeu João Roberto Soki-Soki como coordenar da comissão preparatória.

- --