Adalberto Costa Júnior acusa Governo de manter Angola presa à dependência petrolífera

Post by: 18 Junho, 2026

O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, afirmou esta quarta-feira que Angola continua dependente de um modelo económico excessivamente assente no petróleo, na dívida pública e na concentração de recursos nas mãos do Estado, defendendo a implementação de reformas estruturais capazes de promover um desenvolvimento sustentável e inclusivo.

Durante a apresentação de um diagnóstico económico e social, o líder da oposição considerou que os problemas do país são sobretudo estruturais e resultam da forma como as instituições funcionam, da organização do poder económico e dos incentivos existentes.

Segundo Adalberto Costa Júnior, Angola vive uma situação de “estabilização sem transformação”, na qual alguns indicadores macroeconómicos melhoram, mas sem impactos significativos na diversificação económica, na criação de emprego e na redução das desigualdades sociais.

O dirigente argumentou que o país continua a transformar os seus recursos naturais em dependência económica, mantendo um modelo incapaz de gerar prosperidade para a maioria da população.

A dependência do petróleo foi apontada como uma das principais fragilidades da economia nacional. Segundo os dados apresentados, o sector representa cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB), 60% das receitas fiscais e aproximadamente 95% das exportações.

A UNITA alertou ainda que mais de três quartos da actividade económica permanecem directa ou indirectamente ligados ao sector petrolífero, tornando Angola vulnerável às oscilações dos mercados internacionais.

Adalberto Costa Júnior destacou também a diferença entre o preço de referência do petróleo inscrito no Orçamento Geral do Estado e os preços praticados nos mercados internacionais. Segundo afirmou, enquanto o OGE foi elaborado com base em 61 dólares por barril, a média observada nos primeiros meses de 2026 rondou os 92 dólares.

Na sua opinião, esta diferença cria uma margem financeira significativa que exige maior transparência por parte do Executivo na divulgação das receitas efectivamente arrecadadas.

Outro dos pontos centrais da análise incidiu sobre o peso da dívida pública. Segundo a UNITA, cerca de 84% das receitas previstas para 2026 serão absorvidas pelo pagamento da dívida e dos respectivos encargos financeiros.

Para o líder da oposição, esta realidade limita a capacidade do Estado para investir em áreas estratégicas como a educação, a saúde, a protecção social e as infra-estruturas produtivas.

O diagnóstico refere ainda que o sistema financeiro continua sem desempenhar um papel relevante na diversificação económica, uma vez que o crédito ao sector privado representa apenas cerca de 7% do PIB, um dos níveis mais baixos da África Austral.

A agricultura foi apontada como um exemplo dessa contradição. Embora seja frequentemente apresentada como prioridade nacional, continua a receber uma parcela reduzida do financiamento bancário.

A UNITA criticou igualmente a forte concentração territorial dos recursos públicos. Segundo os dados apresentados, Luanda e a estrutura central do Estado absorvem cerca de 68,1% da despesa pública prevista para 2026.

Adalberto Costa Júnior considera que esta centralização agrava as desigualdades regionais, limita o desenvolvimento das províncias e aumenta a pressão migratória sobre a capital.

O relatório manifesta ainda preocupação com a elevada taxa de informalidade, que afecta cerca de 78,8% dos trabalhadores angolanos e ultrapassa os 93% entre os jovens dos 15 aos 24 anos.

O desemprego jovem, superior a 50%, foi igualmente apontado como um dos principais desafios económicos e sociais do país, reflectindo a incapacidade da economia para gerar emprego formal e produtivo.

No plano institucional, o líder da UNITA criticou os níveis de corrupção, a falta de transparência na contratação pública e aquilo que considera serem fragilidades na independência do sistema judicial e na aplicação efectiva das leis.

O diagnóstico reconhece alguns progressos nos sectores da educação e da saúde, incluindo melhorias nos indicadores de mortalidade materna e neonatal e avanços nas campanhas de vacinação. Contudo, alerta que a taxa de analfabetismo permanece elevada e que a malária continua a ser a principal causa de mortalidade e morbilidade em Angola.

Relativamente ao Sector Empresarial Público, Adalberto Costa Júnior apontou alegadas insuficiências de transparência na gestão da Sonangol e questionou a divulgação dos investimentos e dividendos associados às suas participações. Referiu igualmente a situação da TAAG, cuja privatização está prevista para 2026, e abordou o Programa de Privatizações (PROPRIV), que inclui empresas como a Endiama, a Unitel, o Grupo Média Nova, a TV Nzimbo, a Angola Telecom e a Nova Cimangol, enquanto a privatização da Sonangol continua adiada.

Por fim, o presidente da UNITA defendeu uma agenda de reformas assente na disciplina orçamental, simplificação fiscal, expansão do crédito produtivo, descentralização económica, reforço da transparência, promoção da concorrência e valorização da juventude. Destacou ainda o potencial estratégico do Corredor do Lobito e concluiu que Angola possui recursos e vantagens competitivas suficientes para crescer, mas que o seu futuro dependerá da capacidade de transformar esse potencial em prosperidade para a maioria dos cidadãos.

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