- Bassirou Diomaye Faye e Ousmane Sonko (Senegal)
Ao contrário dos restantes casos desta lista, o Presidente Bassirou Diomaye Faye e o primeiro-ministro Ousmane Sonko continuam politicamente alinhados. Ainda assim, a relação entre ambos é acompanhada com atenção por analistas, que recordam que modelos de liderança assentes numa forte influência do mentor sobre o líder eleito tendem, frequentemente, a enfrentar tensões institucionais com o passar do tempo.
- Andry Rajoelina e Marc Ravalomanana (Madagáscar)
A ascensão política de Andry Rajoelina ficou marcada pelo confronto com o então Presidente Marc Ravalomanana durante a crise política de 2009. Depois de consolidar o poder através das eleições, Rajoelina reforçou o seu controlo sobre o aparelho do Estado, afastando qualquer hipótese de partilha de poder com o antigo rival.
- Nana Akufo-Addo e John Agyekum Kufuor (Gana)
Nana Akufo-Addo beneficiou da estrutura política consolidada durante a presidência de John Agyekum Kufuor para conduzir o Novo Partido Patriótico (NPP) de volta ao poder. Uma vez eleito Presidente, promoveu uma reorganização interna do partido, reforçando a influência do seu círculo político e reduzindo o peso da anterior liderança.
- Umaro Sissoco Embaló e José Mário Vaz (Guiné-Bissau)
Num dos sistemas políticos mais instáveis da África Ocidental, Umaro Sissoco Embaló consolidou rapidamente o poder presidencial após a sua eleição. Ao longo do mandato, afastou-se de antigos aliados e promoveu uma nova configuração das alianças políticas, reforçando o controlo do Executivo.
- Hakainde Hichilema e Edgar Lungu (Zâmbia)
Embora nunca tenha sido um protegido político de Edgar Lungu, Hakainde Hichilema imprimiu uma clara rutura com o anterior ciclo governativo após vencer as eleições de 2021. O novo Presidente promoveu reformas económicas e apoiou investigações a alegados casos de corrupção envolvendo membros da administração anterior.
- Mohamed Ould Ghazouani e Mohamed Ould Abdel Aziz (Mauritânia)
Quando deixou a Presidência em 2019, Mohamed Ould Abdel Aziz apoiou a candidatura do seu aliado Mohamed Ould Ghazouani, acreditando que manteria influência sobre o novo poder. Contudo, Ghazouani afirmou rapidamente a sua autonomia política e permitiu o avanço de processos judiciais que culminaram na acusação do antigo chefe de Estado por alegados crimes de corrupção.
- Cyril Ramaphosa e Jacob Zuma (África do Sul)
Jacob Zuma desempenhou um papel importante na ascensão de Cyril Ramaphosa à liderança do Congresso Nacional Africano (ANC). Porém, já na Presidência, Ramaphosa apoiou investigações sobre os escândalos de "captura do Estado" associados ao período de governação de Zuma, deteriorando de forma irreversível a relação entre ambos.
- João Lourenço e José Eduardo dos Santos (Angola)
Após 38 anos no poder, José Eduardo dos Santos escolheu João Lourenço como sucessor. A expectativa de parte da elite política era de continuidade, mas o novo Presidente lançou uma ampla campanha de combate à corrupção, que atingiu figuras próximas do antigo chefe de Estado, incluindo membros da sua família. A relação entre ambos deteriorou-se progressivamente, tornando-se uma das ruturas políticas mais marcantes da história recente de Angola.
- William Ruto e Uhuru Kenyatta (Quénia)
Durante vários anos, William Ruto e Uhuru Kenyatta formaram uma das mais sólidas alianças políticas do Quénia. A aproximação de Kenyatta ao líder da oposição, Raila Odinga, em 2018, marcou, contudo, o início da rutura. Ruto apresentou-se posteriormente como candidato contra o sistema político instalado e venceu as eleições presidenciais de 2022.
- Emmerson Mnangagwa e Robert Mugabe (Zimbabué)
Durante mais de quatro décadas, Emmerson Mnangagwa foi um dos mais próximos colaboradores de Robert Mugabe. A relação terminou com a crise política de 2017, quando uma intervenção militar levou à saída de Mugabe do poder. Já na Presidência, Mnangagwa consolidou a sua liderança na ZANU-PF e afastou progressivamente a influência do antigo Presidente.
A principal conclusão
A experiência política de vários países africanos demonstra que as alianças entre líderes e os seus sucessores raramente permanecem intactas depois da transferência do poder. Uma vez na Presidência, muitos chefes de Estado procuram afirmar a sua autonomia política, reorganizar os centros de decisão e construir uma base própria de apoio, transformando antigos aliados em adversários. Essas ruturas têm moldado a evolução política de diversos países do continente e continuam a influenciar os equilíbrios de poder em África.





