UNITA apresenta queixa-crime contra polícia e governador do Uíge

Post by: 20 Agosto, 2026

A UNITA, maior partido da oposição, anunciou esta Quinta-feira que apresentou queixa-crime contra as chefias policiais e o governador da província do Uíge, pelo alegado ataque aos seus militantes, a 8 de Agosto.

Em conferência de imprensa, a vice-presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Arlete Chimbinda, apresentou o ponto de situação actualizado e as medidas sobre os actos de violência realizados por efectivos da Polícia Nacional contra militantes do partido no Uíge.

Arlete Chimbinda considerou que a polícia revelou naquele incidente um comportamento parcial, cúmplice e colaborativo na perturbação do ambiente democrático, violando, de forma evidente, os princípios da legalidade, da imparcialidade e da actuação republicana, que devem orientar uma força policial.

Segundo a vice-presidente da UNITA, durante a preparação do acto foi notória a tentativa do seu maior opositor político, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder, para travar a realização de um comício público.

A mesma fonte avançou que, no âmbito da provocação, "o MPLA realizou actividades com música, inclusive no interior dos hotéis onde se encontrava hospedada grande parte das delegações da UNITA".

"Existem fortes indícios e provas de premeditação e de provocação contra a UNITA. A polícia foi, visivelmente, instrumentalizada por cidadãos que exercem, cumulativamente, funções no partido que governa e na Administração do Estado", referiu.

A dirigente da maior formação política da oposição frisou que os incidentes no Uíge foram comunicados de forma expressa e detalhada, "acompanhada das respectivas provas, aos mecanismos das Nações Unidas, dando conta do ataque de que foram vítimas.

"Que fique aqui bem claro: no Uíge não houve qualquer confronto. A UNITA foi atacada e os seus membros, que se encontravam indefesos, ficaram feridos. Só se poderia falar em confronto se tivesse havido, por parte dos militantes da UNITA, qualquer acto de resistência ou de enfrentamento. O que aconteceu foi diferente: a polícia atacou mulheres e crianças que se encontravam a dançar e a cantar", expressou.

De acordo com Arlete Chimbinda, foi também aberto um processo relativamente à invasão ao Secretariado Provincial da UNITA, realizada sem o competente mandado judicial.

A vice-presidente da UNITA realçou que, na sequência dos actos de intolerância política, o líder do partido, Adalberto Costa Júnior, contactou a Presidência da República, para informar sobre a gravidade dos actos praticados pela polícia, sob o comando do governador do Uíge, José Carvalho da Rocha.

"Porém, a Presidência da República remeteu-se ao silêncio. E, como diz o conhecido princípio, 'quem cala consente', entendemos que o silêncio da Presidência da República, que acumula a titularidade da presidência do MPLA, acaba por constituir um incentivo à continuidade destas práticas", considerou.

"A UNITA não aceitará que as províncias sejam tratadas como feudos, cujo senhorio pertença ao partido no poder", acrescentou Arlete Chimbinda, pedindo a necessária celeridade dos processos instaurados nos tribunais "contra as chefias policiais que comandaram os actos ocorridos no Uíge".

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