Igreja angolana pede fim de monopólios que multiplicam miséria

Post by: 25 Fevereiro, 2026

Os bispos católicos angolanos disseram hoje que vencer a pobreza “é o maior desafio” do país e instaram o Governo a “destruir com coragem” os monopólios que inviabilizam a diversificação da economia e multiplicam a miséria e exclusão.

De acordo com o presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), José Manuel Imbamba, vencer a pobreza constitui o maior desafio de Angola, considerando que a caridade assistencial é necessária no contexto do país, “mas a justiça social é imperativa”.

“Haja coragem política para destruir os monopólios que inviabilizam a diversificação da economia, multiplicando cada vez mais os índices de pobreza, miséria e exclusão”, afirmou hoje o arcebispo na abertura da I Assembleia Plenária da CEAST que decorre até 02 de março em Luanda.

Para travar os atuais índices de pobreza no país, José Manuel Imbamba propôs “um investimento na agricultura familiar, no ensino técnico-profissional e na desburocratização do crédito para os pequenos empreendedores”.

“E, para o efeito, urge a reabilitação das estradas secundárias e terciárias para garantir maior fluidez na comunicação e no escoamento dos produtos”, notou.

O presidente da CEAST afirmou também que a situação social do país apresenta desafios e esperanças, salientando, no entanto, que a Igreja Católica “sonha por uma Angola de todos e para todos, inclusiva e meritocrática”.

Na sua intervenção, defendeu a necessidade de a cidadania no país “falar mais alto do que a militância partidária”, pois, observou, esta última é a única responsável pela intolerância que, infelizmente, se assiste nos últimos tempos, pelo fanatismo doentio, pela exclusão e pela falta de convívio salutar”.

“É hora de aprendermos a conviver na diferença e no respeito recíproco: todos, absolutamente todos, somos necessários para o progresso humano, social, cultural da nossa bela e acolhedora terra”, frisou.

O responsável apontou que o diálogo e participação estão igualmente entre os desafios, recordando que o diálogo “é o caminho real para a paz social e para o conhecimento recíproco necessário para a edificação do país”.

Por outro lado, salientou que a participação consciente, ativa e responsável na coisa pública “é, ao mesmo tempo, um direito e um dever”, acrescentando que uma cidadania responsavelmente expressiva “une as inteligências e as vontades no essencial, suscitando convergências necessárias”.

No entender ainda do também arcebispo de Saurimo, Angola precisa de superar os medos e incertezas que pairam sobre os cidadãos, sobretudo no seio de muitos jovens, “cujas vidas continuam reféns das estruturas do mal, da bajulação, do oportunismo, do imediatismo, das intrigas e dos vícios”.

“Não é em vão que muitos estejam a preferir emigrar, em busca de melhores condições de vida. Cabe a nós adultos, políticos e governantes de hoje sentirmo-nos interpelados por esta situação e, consequentemente, criarmos um ambiente sociocultural propício para a realização pessoal e coletiva”, vincou.

“Estes medos superam-se com a transparência e a probidade das instituições, com o respeito escrupuloso pela lei e com a promoção de uma cultura de encontro que gera confiança, respeito e sentido de pertença”, realçou.

O presidente da CEAST encorajou igualmente os líderes políticos de Angola a colocarem o país acima dos interesses partidários, referindo que o país precisa, “e com quanta urgência, de despartidarizar as (…)relações e (…) convívios”.

A visita do Papa Leão XIV a Angola, a Mensagem Pastoral para o III Ano do Triénio “Chamados para ser enviados”, os relatórios das dioceses angolanas e a celebração dos 60 anos da CEAST em 2027 são alguns dos pontos em agenda nesta plenária que decorre até 02 de março.

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