O Secretário de Estado das Finanças e Tesouro angolano considerou hoje que o “verdadeiro teste” para o setor bancário angolano não é o número de bancos correspondentes, mas garantir que a “confiança se traduz em mais investimento”. Ottoniel dos Santos discursava na abertura do XVI Fórum Banca, iniciativa do jornal Expansão, com o tema “A Internacionalização da Banca no Mercado de Capitais e o Regresso dos Correspondentes: Desafios e Oportunidades”.
“O verdadeiro teste será saber se essa nova confiança se traduz em mais investimento, mais empresas competitivas, mais emprego qualificado e melhores oportunidades para os angolanos. Esse é, afinal, o propósito maior de qualquer sistema financeiro: servir a economia para melhorar a vida das pessoas”, referiu o governante angolano.
Um banco correspondente é uma instituição que presta serviços financeiros a outro banco no estrangeiro, permitindo-lhe operar numa moeda ou num mercado onde não tem presença própria. Desde 2025, dois bancos internacionais — o norte-americano JP Morgan e o alemão Deutsche Bank — restabeleceram contas de correspondência direta com bancos angolanos.
Segundo Ottoniel dos Santos, o maior ativo que hoje se discute “não são apenas as infraestruturas financeiras nem as relações de correspondência bancária”, mas a confiança, “porque é sobre ela que se constroem os mercados, se mobiliza investimento e se financia o desenvolvimento”.
O tema escolhido é atual, acrescentou o governante angolano, frisando que falar da internacionalização da banca e do regresso dos bancos correspondentes “é, na realidade, falar da crescente integração de Angola na economia mundial”. “Nos últimos anos, o debate centrou-se na perda das relações de correspondência bancária, nas dificuldades de acesso aos mercados financeiros internacionais e nos constrangimentos daí decorrentes para empresas, investidores e cidadãos”, lembrou.
Ottoniel dos Santos destacou que Angola vem assistindo ao restabelecimento gradual dessas relações e ao interesse crescente de instituições financeiras internacionais em reforçar a sua presença junto da banca angolana. Esta evolução, adiantou o Secretário de Estado das Finanças e Tesouro, é resultado de um percurso exigente de reformas, do reforço dos mecanismos de supervisão, da melhoria dos padrões de conformidade, do combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, do fortalecimento das instituições e da consolidação da estabilidade macroeconómica.
Durante a mesa-redonda subordinada ao tema do fórum, os vários intervenientes consideraram o tema da internacionalização um desafio para os bancos, tendo o administrador executivo do Banco Angolano de Investimentos (BAI), Juvelino Domingos, sublinhado que Angola está sob olhar atento do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI, organismo intergovernamental de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo).





