Médicos angolanos dizem que seis mil novas vagas são insuficientes para colmatar défice

Post by: 17 Julho, 2026

O Sindicato Nacional dos Médicos Angolanos (SINMEA) considerou hoje “insuficientes” as seis mil novas vagas disponibilizadas pelo Governo para o provimento de novos profissionais da saúde, alertando para a existência de bancos de urgência com apenas dois enfermeiros.

De acordo com o presidente do SINMEA, Adriano Manuel, o número de profissionais a ser contratado é insuficiente para colmatar o défice de recursos humanos em todos os hospitais do país, dando nota que existem, inclusive, bancos de urgência com número irrisório de profissionais.

“Nós temos unidades de cuidados intensivos em que numa noite [trabalham] com 10 ou 12 enfermeiros, temos bancos de urgência com um ou dois enfermeiros, com um único médico e isso de maneira alguma resolve o problema do défice de quadros nas nossas instituições”, afirmou.

À Lusa, o médico pediatra angolano realçou também que os profissionais do setor, médicos, enfermeiros e técnicos de laboratório, trabalham com excessivo volume, por conta da escassez pessoal, situação que também influencia negativamente o estado psicoemocional dos profissionais.

“Porque, as mortes existentes nas nossas unidades hospitalares todos os dias não há ninguém que olha isso como um facto normal e isso tem influenciado naquilo que é também a disposição dos profissionais do setor”, referiu.

Pelo menos seis mil vagas estão disponíveis para o concurso público de ingresso de novos profissionais do setor da saúde, que teve início em 13 de julho e decorre até ao final deste mês.

Milhares de cidadãos ávidos por um emprego na função pública, com a abertura de concursos públicos nos setores da saúde, educação e interior, acorrem às repartições públicas e instituições afins em busca de documentos exigidos nestes concursos.

Em relação ao ingresso no setor saúde, as candidaturas decorrem online e o portal nesta primeira semana já registou mais de 170 mil candidaturas, conforme noticiou o Novo Jornal.

Neste concurso, o Ministério da Saúde de Angola disponibiliza 2.963 vagas para as unidades sanitárias sob tutela das 21 províncias e 3.037 para as instituições do órgão central.

Segundo o ministério, todas as províncias dispõem de vagas para as diferentes carreiras, nomeadamente 1.545 para médicos, 1.828 para enfermagem, 1.255 para técnicos de diagnóstico e terapêutica, 1.067 para apoio hospitalar, 220 para o regime geral e 85 para trabalhadores sociais.

Está igualmente aberto o concurso público de ingresso ao Ministério do Interior, que se iniciou na quinta-feira e decorre até 31 de julho para o recrutamento de 7.682 novos agentes para o seu quadro de pessoal.

Nas primeiras horas do após a abertura do portal, mais de 1,5 milhões de utilizadores acederam à plataforma de candidaturas e mais de 10 mil pessoas conseguiram fazer a sua inscrição, anunciou o Ministério do Interior.

O ministro do Interior de Angola, Manuel Homem, em vídeo partilhado nas redes sociais, disse que tem recebido muitos pedidos de pessoas próximas para o ingresso na instituição, garantindo, no entanto, que “não haverá favoritismo nem intermediações para qualquer pedido de ajuda” e que todos vão concorrer em situação de igualdade.

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