As ações inspetivas extraordinárias decorreram entre terça e quinta-feira, com maior incidência nos municípios de Talatona, Belas e Samba, numa operação conjunta do Serviço de Investigação Criminal (SIC), da Inspeção-Geral da Saúde (IGS) e da Direção Nacional dos Hospitais, segundo uma nota de imprensa do SIC.
Nos 28 estabelecimentos inspecionados, alguns sem documentação legal e administrativa exigida para o licenciamento da atividade, foram também detetados produtos de beleza com prazo de validade expirado.
Numa das clínicas foi detido em flagrante delito um cidadão russo de 45 anos, por fortes indícios de exercício ilegal da profissão, quando realizava um procedimento médico-estético de estomatologia sem carteira profissional ou outro documento válido, refere-se no comunicado.
Na sequência de uma denúncia, foi ainda detido um cidadão angolano de 35 anos, no bairro Zango 0, município de Calumbo, província do Icolo e Bengo, por fortes indícios de exercício ilegal da profissão, recetação e publicidade enganosa, por prometer a cura do VIH aos seus pacientes e estar na posse de meios desviados do Ministério da Saúde.
As autoridades encerraram igualmente a Clínica de Estética Nice da Luz, no âmbito da investigação à morte de uma mulher de 37 anos, ocorrida depois de ter sido submetida a um procedimento estético naquela unidade.
A vítima sofreu uma paragem cardíaca na sequência de uma "hidrolipo" realizada em 27 de junho e morreu após vários dias em coma, tendo a proprietária da clínica ficado em prisão preventiva.
Também em junho, uma mulher de 26 anos morreu depois de ter recebido injeções para aumentar os glúteos, procedimento conhecido como "jarda", num posto clandestino instalado no Mercado dos Kwanzas, em Luanda, tendo o SIC detido um enfermeiro suspeito de ter realizado o procedimento.
A "jarda" é uma prática que recorre à aplicação de substâncias químicas para aumentar o volume do corpo, muito popularizada em Angola associada à pressão social em torno de padrões estéticos.
O organismo pode rejeitar as substâncias injetadas, provocando deformidades, infeções graves, feridas, necroses e em casos extremos, a morte.
No decurso das diligências foram apreendidos os produtos caducados e notificados todos os responsáveis dos estabelecimentos envolvidos, que deverão comparecer na próxima semana nas instalações da Inspeção-Geral da Saúde (IGS), para "ulteriores procedimentos legais".
O SIC, a IGS e a Direção Nacional dos Hospitais apelaram aos cidadãos que, ao procurarem serviços de estética médica, "exijam o cumprimento dos requisitos legais e denunciem estabelecimentos que funcionem à margem da lei".





