Aguinaldo Jaime, presidente do conselho de administração da Unitel, respondia à agência Lusa à margem da cerimónia de estreia da empresa na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), que decorreu esta manhã em Luanda.
O gestor sublinhou que o cibercrime está presente em todas as latitudes e atividades económicas, admitindo tratar-se do incidente mais grave já sofrido pela operadora. "Obviamente não é a primeira situação de cibercrime de que a Unitel é vítima, mas esta é a mais grave, a mais sofisticada e a que mais impacto teve", declarou.
Ainda assim, ressalvou que a empresa já enfrentou dezenas de ataques anteriores sem consequências de maior. "A Unitel já sofreu dezenas de ataques, mas fomos sempre capazes de monitorizar o seu impacto e os seus efeitos, e é isso que estamos a fazer", acrescentou.
Questionado sobre se a empresa chegou a ponderar adiar a entrada em bolsa, Aguinaldo Jaime respondeu que a hipótese foi considerada, mas afastada face ao andamento da recuperação. "Tudo ponderado, e sobretudo depois de vermos como os trabalhos de recuperação da nossa infraestrutura estão a decorrer, achámos que o melhor seria manter a atividade do 'ring the bell' para hoje", disse.
O responsável garantiu que não foram afetados dados sensíveis dos clientes e mostrou-se confiante na recuperação. "Os efeitos estão contidos, estamos a trabalhar na recuperação da nossa capacidade e acredito que ainda hoje uma parte dos serviços vão começar a funcionar", afirmou.
A Lusa constatou que alguns clientes já conseguem fazer chamadas ou usar os dados móveis.
Aguinaldo Jaime adiantou que a investigação está em curso e que já chegaram a Angola especialistas internacionais para colaborar com a Unitel.
Sobre o impacto financeiro do ataque para a empresa e para os clientes, escusou-se a quantificá-lo, dizendo que está ainda a ser avaliado.
O ataque, ocorrido cerca das 02:00 de terça-feira (mesma hora em Lisboa), está a deixar sem rede móvel nem Internet os 20,8 milhões de clientes da operadora, líder do mercado angolano.
Além da impossibilidade de fazer chamadas ou aceder à Internet, a falha está a afetar diversas empresas e o funcionamento de várias atividades quotidianas, num país onde, seguindo a tendência mundial, os angolanos usam cada vez menos dinheiro físico.
Registaram-se dificuldades no pagamento de táxis por aplicação, bem como em restaurantes e outras lojas, já que muitos terminais de pagamento automático (TPA) ficaram inoperacionais por falhas nas ligações à rede, que também afetam algumas caixas automáticas, impedindo o levantamento de dinheiro.
Entretanto os serviços de Proteção Civil e Bombeiros, bem como várias empresas, disponibilizaram contactos de emergência alternativos através da principal concorrente da Unitel, a operadora Africell, que tem registado enormes enchentes junto às suas lojas, conforme constatou a Lusa.





