UNITA denuncia 90 mortos nos tumultos de julho de 2025 e exige investigação imparcial

Post by: 13 Fevereiro, 2026

A UNITA estimou hoje que pelo menos 90 pessoas morreram em Angola, na sequência dos tumultos de julho de 2025, no ámbito da paralisação dos taxistas, considerando tratar-se de "execuções sumárias que exigem investigação independente e imparcial.

Os dados constam de um relatório denominado "As Mortes e Violações de Direitos Humanos na Revolta de Julho de 2025, elaborado pelo governo sombra da União Nacional para a Independencia Total de Angola (UNITA, maior partido da oposição), seis meses depois dos protestos.

O "vice-primeiro-ministro do governo sombra da UNITA, Joaquim Nafoia, que fez a apresentação do relatório, deu conta que 90 pessoas morreram em todo o país, vitimas da "repressão e uso desproporcional da força de efetivos da defesa e segurança de Angola, no âmbito dos protestos dos dias 28, 29 e 30 de julho de 2025.

Segundo o politico, que falava em conferência de imprensa, a provincia de Luanda, capital do país, registou 47 mortos, Malanje 20 mortos, Lunda Norte (nove), Huambo (oito), Cuando-Cubango (cinco) e a provincia da Hulla um morto.

"Os trágicos acontecimentos de finais de julho de 2025 não ocorreram de forma isolada, nem representam um episódio fortuito de violència. Pelo contrário, inserem-se num padrão reiterado de repressão estatal que, ao longo da última década e mela, tem marcado a relação entre o Estado angolano e a sociedade civil", afirmou Joaquim Nafola

Em causa esteve a paralisação dos serviços de táxis, em protesto contra o aumento dos preços dos combustíveis e das tarifas dos transportes públicos, que resvalou para um tumulto em várias províncias de Angola, caracterizado por atos de pilhagem e violência, com um saldo de 30 mortos, 277 feridos e mais de 1.500 detenções, segundo dados da polícia.

O politico da UNITA argumentou, no decurso da apresentação do relatório de 51 páginas, que o documento, que narra as ações repressivas e mortes registadas em julho de 2025, "não é um exercício teórico, e nem de confrontação gratuita, mas uma contribuição sería para um debate politico nacional"

Trata-se, observou, de dar voz às vítimas, documentar factos, "exigir responsabilização e reparação. Afinal, a revolta de julho, e a repressão que se the seguiu, deveriam servir de alerta", assinalou, referindo que os protestos "expuseram a fragilidade do tecido social angolano e o perigoso afastamento entre o Estado e a sociedade".

"Sem reformas significativas reforço da independência judicial, combate à corrupção, proteção da liberdade de expressão e responsabilização das forças de segurança novas erupções de violência serão apenas uma questão de tempo", notou.

Segundo o relatório, a revolta popular de julho de 2025 "se inscreve no histórico de repressão estatal" e cada episódio passado "reforçou a impunidade e abriu caminho para que as forças de segurança continuassem a agir acima da lei, num ciclo de violência que urge interromper".

"É urgente, pois, que sejam desencadeadas Investigações independentes, céleres e imparciais sobre cada um destes episódios, com responsabilização efetiva dos autores materiais e morais. A comunidade internacional deve acompanhar de perto a situação, exigindo do Estado angolano o cumprimento das suas obrigações em matéria de direitos humanos", pede a UNITA.

Joaquim Nafoia, também deputado à Assembleia Nacional, disse que, no periodo de vigència da governação do Presidente angolano, João Lourenço (no poder desde 2017), "mals de 360 pessoas morreram vítimas da violência das forças da ordem e segurança", aludindo tratar-se de "dados devidamente documentados".

Perante os episódios de julho passado, a UNITA recomenda investigação independente imparcial, reparação justa e adequada às famílias das vitimas, garantia efetiva da liberdade de manifestação e reunião pacífica, reforço da independencia do sistema judicial, revisão das práticas de policiamento e a criação de uma comissão parlamentar de inquérito.

O "primeiro-ministro do governo sombra da UNITA, Raul Tati, considerou, por sua vez, que o relatório retrata "atos bárbaros de violência gratuita", atribuindo ao Presidente angolano "a responsabilidade primária de cumprir e fazer cumprir a Constituição, a lei e os bons costumes"

"Senhor Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço, o sangue de todos os inocentes derramado pelas forças da ordem ao longo dos oito anos da vossa magistratura clama a Deus e reclama por justiça. A responsabilidade politica desses atos bárbaros repousa nas vossas mãos. Em nome das vitimas, o governo sombra da UNITA exige justiça contra a impunidade", concluiu.

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